quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


Ao reproduzir esse slogan denuncio que estou velha, porque de repente vejo a meia idade chegando como um flash, meia idade é quarenta anos oras, quantas pessoas de 120 você conhece? Abro os olhos e não tenho mais trinta anos, estou chegando na idade dos enta. Nunca fui muito preocupada com isso, tenho cara de mais nova e por ser tímida tenho um comportamento meio bobo que me infantiliza quando a timidez ataca. Até por isso, nem gosto muito quando diminuem a minha idade, e sinceramente que diferença faz parecer ter menos ou ostentar ter menos idade quando você sente nos ossos cada ano que passou? Cada ano e cada momento vivido deixa marcas, lembranças e é o que nos diferencia. Eu não vou ficar estacionada num comportamento pré-determinado para ser aceita nos círculos sociais disfarçando a minha idade. Já não chega os meus pais achando que eu não vou crescer nunca ?
Sempre tive a impressão de que continuaria frequentando festas ou baladas, terrível termo contemporâneo que designa passar a noite inteira bebendo, dançando, na farra com os amigos, mas cada vez mais prefiro noitadas, era assim que se chamava, bem tranquilinhas, mesa de bar porque dá para conversar ou virar a noite papeando na casa dos amigos.
Dia desses fui a uma festa badaladíssima com Dj badaladérrima. Festa que frequentavam pessoas de todas as idades, gente das antigas como a gente chamava, agora só é frequentada por pirralhos com maioria hetero pegando no cabelo e no braço das meninas para azarar. Parecia que eu tinha invadido a matinê da Zoom, boate que eu fui duas vezes em Brasília porque eu era punk e boate é coisa de playboy. Rs.
Parecia que as crianças quando me olhavam viam as coroas da série do Erwin Olaf, montadas, querendo curtir, parecia que minha idade gritava velhice no meio de tanta juventude. Eu já tinha vivido aquilo ali tantas vezes que parecia reprise de filme de sessão da tarde.
Espero que entendam a ironia, não tenho problema algum em envelhecer, na verdade adoro, além de achar que essas senhoras do ensaio de fotografia estão lindas, maravilhosas e sexies. Ultimamente exibo meus cabelos brancos sem tinta e com orgulho, mas quando eu paro e olho a mocidade tenho certeza que sinto o que as pessoas mais velhas sentiam quando olhavam para mim, um certo medo das mudanças comportamentais, medo bobo e ancestral porque a gente se toca de que a vida tá acabando. Quando se tem um pré-adolescente em casa te lembrando o tempo inteiro disso, dá vontade de viver 140 anos e ver seus netos crescerem e terem filhos e o mundo mudando e a gente se adequando.

Quando eu era adolescente em Brasília, antes de vir para o Rio estudar cinema, comecei a escrever um roteiro que falava sobre ser jovem em Brasília. Ingênuo e bonito. Taí, perder a ingenuidade é o pior de envelhecer.



Pais e filhos do Legião Urbana

2 comentários:

Johann Heyss disse...

O texto tá ótimo. A música, vou dizer: tenho vontade de vomitar quando R.R. diz que "meu filho vai ter nome de santo". Sim, eu odeio Legião Urbana. Mas voltando ao texto, pensei uma coisa: eu sempre fui tão de fora de tudo, tão não-inserido no contexto, que para mim parece que o tempo não passa. Sempre me senti deslocado nas baladas, e continuo me sentindo. Mas às vezes vou assim mesmo, rsrsrs.
bjs

A Fofoqueira S.A. disse...

Hehehe
A música podia ser essa ou como nossos pais, mas pais e filhos é da minha época. Confesso que gostava, me emocionava, mas cresci...
Quanto a filho com nome de santo, acho que era só para ter o nome mais bonito. rs
Pior ainda é sou a gota d'água, sou o grão de areia aia. Se é para ser hippie sou mais o Raul. Faça o que tu querers pois é tudo da lei!

Também me sinto um pouco assim, como se essa inadequação toda também me retirasse do senso comum do tempo, nunca me senti a vontade em lugar algum, gueto nenhum. Sempre fui gouche, maluca para os certinhos, careta para os malucos.
Foi engraçado, o som tava ótimo, mas as crianças gritavam como se não houvesse o amanhã, mas se a gente parar para pensar, na verdade não há há há

kakakakak
beijos